quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Marinheiro que perdeu as graças do mar - Yukio Mishima


Um querido amigo avisou-me de que este, apesar de ser um livro pequeno, não era um livro fácil.
Á primeira vista é uma linda história de amor, como tantas outras.
A senhora Fusako é uma viúva que reside em Yokohama. Dona da uma conceituada boutique, tem um filho, Noboru, de treze anos. Conhece e apaixona-se por um marinheiro.
Ryuji Tsukazaki é um marinheiro que se apaixona por uma viúva com um filho de treze anos.
Noboru cresceu sem pai e agora a mãe apaixonou-se e a casa onde moram tornou a ter um senhor, quem sabe um pai.
Pois, á primeira vista é assim, mas é incrível como um livro com cento e setenta páginas tem muito mais.
Ryuji Tsukazaki sempre se manteve distante de todos pois sempre achou que estava á espera de ser alguém, de fazer algo grandioso que o aproximasse de Deus, que fizesse com que ele se sentisse especial, se sentisse um herói. Surpreendentemente deu por si a abdicar do seu sonho, do seu modo de vida do seu amor pelo mar, da sua ânsia de se tornar um herói.
Noboru, como todas as crianças, sonha em ser um herói. Vive em contradição entre a criança que admira o marinheiro, pois ele já viveu aventuras que ele só se atreve a sonhar, e o adolescente que abomina a mediocridade de um homem que desistiu de uma vida de aventuras para ficar ao lado de uma mulher.
Como todos os adolescentes, faz parte de um grupo, onde todos obedecem ao Chefe, praticando actos de pura maldade que eles pensam quebrar com a cadeia de tabus sociais que condicionam os heróis.
Este livro faz-me pensar: será que não vivemos de forma insignificante e gratuita, ligados a uma série de tabus sociais que nos formatam e nos transformam em corpos sem alma?! Será que não procuramos em pequenos actos sem heroísmo, ser os heróis que nos disseram trazer significado á nossa vida?! Será que nos esquecemos de respeitar e amar o Deus que habita em nós e que ao deixar de ser importante se refugia bem dentro do nosso coração á espera de um simples raio de luz para se manifestar?!

Yukio Mishima, pseudónimo de Kimitake Hiraoka, nasceu em 1925 e morreu a 25 de Novembro de 1970, praticando o ritual japonês seppuku. Viveu a sua vida pautado pelas tradições militares e espirituais dos samurais, o seu idealismo está presente na sua obra.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Vencedor Está Só - Paulo Coelho


Não é a primeira vez, e espero sinceramente que não seja a última, que vos escrevo acerca de um livro publicado por este autor.
Paulo Coelho é actualmente um dos autores mais lidos pelo mundo fora. As suas obras foram traduzidas em mais de 67 idiomas e publicadas em mais de 150 países, tendo vendido milhões de exemplares.


Cannes, Festival de Cinema, 24 horas para recuperar um grande amor.


Olívia é uma portuguesa de sobrancelhas grossas que vende bijutaria feita pelos pais aos milhares de turistas que passeiam por ali devido ao Festival.


Gabriela é actriz. Ela tenta uma oportunidade no mundo do cinema. Percorre os inúmeros castings feitos por toda a cidade na altura do Festival.


Javits Wild é um poderoso distribuidor de filmes, dono de milhares de salas de cinema por todo o mundo, é dono de um império, conseguido de forma pouco clara eestá ali para fazer negócios durante o Festival.


Hamid Hussein, oriundo do Médio Oriente, tornou-se num dos estilistas mais famosos do mundo. Apesar de pertencer a um mundo diferente, ele entrou e triunfou no exclusivíssimo mundo da alta-costura que tem um dos seus momentos altos no Festival.


Maureen apostou tudo o que tinha na realização do seu filme. Agora só precisa de alguém que aposte no seu trabalho. Essa pessoa estará certamente no Festival.


Jasmine é uma supermodelo, cobiçada por vários estilistas, poucos sabem o que a levou a escolher esta carreira e que grande decisão irá tomar devido ao Festival.


Igor e Ewa já foram casados e assistem ao Festival por razões diferentes…


Todas estas personagens encontram-se em Cannes e as suas vidas interligam-se de forma inesperada.
O Autor dá-nos uma visão de um mundo diferente. O mundo da moda, do cinema, do dinheiro, de uma classe social á parte, onde tudo é possível. Um mundo de sonho… um mundo de fantasia… um mundo de pecados… um mundo onde a realidade das opções feitas é mais inacreditável do que as histórias dos filmes projectados durante o Festival.


“O pecado para o bem é uma virtude, a virtude para o mal é pecado.”…

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A feiticeira de Florença - Salman Rushdie



Salman Rushdie nasceu em Bombaim a 19 de Junho de 1947.
Estudou em Inglaterra onde se formou com louvor na Universidade de Cambridge e estreou-se na Literatura em 1975 com o romance “Grimus”.
Em 1989 o livro “Versículos Satânicos” lançou-o para a ribalta pois causou controvérsia no mundo Islâmico, que o considerou uma ofensa ao profeta Maomé.
Durante muitos anos o escritor teve de viver no anonimato pois sobre ele pendia uma sentença de morte proferida pelo líder do Irão.
Em 1990 ele escreve “Haroun e o Mar de Histórias” para explicar ao seu filho por que razão tinha perdido a liberdade de expressão.
Vencedor de vários prémios literários, foi condecorado em 2007 como Cavaleiro Comandante do Império Britânico.
No Romance “ A Feiticeira de Florença”, Salman Rushdie envolve-nos com a sua literatura realista e mágica. Viajamos com um belo desconhecido para o distante reino do Imperador Akbar. Somos confrontados com dois mundos diferentes.
Mas será que são assim tão diferentes?
E afinal porque viajou este desconhecido propositadamente para o Império Mogol?
Que segredo tem ele para contar ao Imperador?
E que feiticeira é esta que dá o título ao livro?
A história leva-nos da Florença dos Médicis, onde nos encontrmos com personagens históricas reais, até ao grande império do Imperador Akbar, onde tudo parece mágico e irreal mas onde as ideias e os ideais filosóficos renascentistas e humanistas são estranhamente semelhantes e igualmente dominados pelos encantos femininos.
Espero que este livro vos desperte a vontade de viajar, se não for até a um distante reino exótico, pelo menos até Florença que está aqui tão perto e que vale a pena visitar. Todos os lugares descritos no romance ainda lá estão á nossa espera e a magia ainda se respira…

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

As Esquinas do Tempo - Rosa Lobato de Faria




Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em 1932. Actriz, poeta e romancista com vários livros publicados e traduzidos em vários países desde 1995.
Este foi o primeiro livro que li desta autora, despertou-me curiosidade a capa, o título e o reconhecimento de que nunca tinha lido nada escrito por esta alma portuguesa que me acompanhou em muitos serões televisivos enquanto crescia.
Rosa Lobato de Faria tem uma poesia na escrita que nos enamora e nos prende, li o livro numa tarde pois fiquei presa numa esquina do tempo junto com Margarida.
Margarida é uma professora de Matemática que se desloca a Vila Real para proferir uma palestra. Alojam-na num antigo solar de turismo de habitação onde é recebida carinhosamente por três senhoras. Margarida sente uma estranha familiaridade por aquele espaço e pelo retrato a óleo pendurado no seu quarto.
No dia seguinte acorda no mesmo quarto mas não na mesma época. Ela lembra-se que estava em 2008 mas acordou em 1908.
Como é possível? Ela está a ocupar o lugar da sua trisavó Margarida. E a sua trisavó? Onde estará? Em 2008 ou 1808?
Somos levados de uma época para a outra e ficamos a conhecer a história da família de Margarida, tanto no passado como no presente. As paixões e as tragédias que durante tanto tempo ficaram esquecidas e que as esquinas do tempo resolveram reavivar para percebermos que estamos interligados independentemente do tempo e do espaço.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert


semanas, quando sintonizava na SIC Mulher, estava sempre no ar o programa da Oprah com a mesma convidada, a falar deste livro. Comecei a desconfiar de que talvez era um sinal e resolvi comprar o livro.
Este livro está dividido em três partes, a primeira na Itália (comer), a segunda na Índia (orar) e a terceira na Indonésia, mais concretamente na ilha de Bali (amar).
Liz sente-se no fundo do poço, o seu casamento já não tem pernas para andar e o seu marido não ajuda. Ela sente que se descurou a si própria, que descurou a sua relação com o marido e a sua ligação com Deus. Resolve acabar com o casamento e entretanto conhece uma outra pessoa que a apresenta a uma guru indiana. Liz começa a aprender a meditar e a relacionar-se com o Deus que habita dentro de si..
Depois de um divórcio litigioso complicado e do rompimento com o seu novo namorado, Liz sente que está na altura de fazer algo por si, que a faça sentir bem e que a ajude na sua espiritualidade.
Parte para Itália, pois sempre desejou aprender a língua e sempre quis comer a verdadeira comida Italiana. Durante quatro meses Liz aprende Italiano, arranja novos amigos e engorda com a maravilhosa comida de Itália. A luta interior com os seus medos, culpas e sentimentos levam-na a crescer emocional e espiritualmente. Mas é quando parte para a Índia para viver durante quatro meses no ashram da sua guru que ela cresce verdadeiramente. Quatro meses a meditar e a trabalhar para ajudar no ashram fazem com que ela cresça e aprenda o seu verdadeiro valor e, acima de tudo que faça as pazes consigo própria e que se perdoe por todos os seus erros passados.
Anos antes destes acontecimentos Liz tinha estado em Bali para fazer uma reportagem, e aí conheceu um guru indonésio que viu nas palmas das suas mãos que um dia ela iria voltar para ser sua aluna. Depois de quatro meses em meditação, Liz parte para Bali para se encontrar com o seu guru mas a maior surpresa da sua viagem vai ser a paixão que vai nascer entre ela e …
Pois é, vão mesmo ter de ler o livro.
Espero sinceramente que gostem e que a experiência de Liz vos sirva de exemplo e vos ajude a encontrar mais um pouco de felicidade pois, como a autora, eu acredito que ela está dentro de nós.

sábado, 20 de setembro de 2008

O último Cabalista de Lisboa - Richard C. Zimmler

As férias foram boas?
Será que aproveitaram para pôr a leitura em dia?
Eu consegui, entre um passeio e outro, entre uma sesta e outra, ler alguns livros, de que vos falarei ao longo das próximas edições do nosso jornal.
Começo com este livro que raptei da estante dos meus pais e que repousou na minha durante uns sete anos. Quando o trouxe comecei a lê-lo mas confesso que não me entusiasmou, acho que ainda não estava preparada. Este Agosto uma amiga recomendou-mo com tanto entusiasmo que resolvi limpar-lhe o pó e dar-lhe mais uma oportunidade.
Meus amigos, vale a pena, vale mesmo a pena.
O autor baseou-se em alguns dos manuscritos encontrados durante as obras de uma casa em Istambul, Turquia.
Escritos na grafia utilizada pelos judeus da Ibéria, datam de 1507, são assinados por Berequias Zarco e relatam o massacre de Lisboa em 1506.
Berequias Zarco é o nosso herói. Cristão-novo, vive com a mãe, os irmãos e os tios na zona de Alfama, em Lisboa. Quando em 1497 os judeus foram obrigados a converter-se ou a fugir, a família de Berequias optou pela conversão sem nunca abdicarem da sua verdadeira religião que seguiam praticando às escondidas.
O Tio de Berequias era um cabalista famoso na sua comunidade, um iluminista exímio que tentava salvar todos os livros importantes que encontrava para que não se perdesse uma parte importante da cultura judaica.
Quando na manhã de 6 de Abril de 1506, Páscoa, se desencadeiam os tumultos que levaram á morte de mais de duas mil pessoas, Berequias descobre o seu tio morto na cave de sua casa. Junto a ele está também uma mulher sem roupa e morta. Mas como é possível que estas duas pessoas estejam fechadas numa cave e mortas? A porta estava trancada por dentro, por isso o assassino não pode ter saído? Será que foi suicídio? E quem é a mulher?
Berequias relata-nos na primeira pessoa tudo o que se passou nesses dias em Lisboa, ao mesmo tempo que procura resolver o mistério da morte do tio.
Além do relato verídico de um momento menos feliz da história de Portugal, também ficamos a conhecer melhor o dia-a-dia dos judeus/cristãos-novos portugueses.
Richard C. Zimmler nasceu em Nova Iorque em 1956. Formou-se em Religião comparada e trabalhou como jornalista. Em 1990 mudou-se para a cidade do Porto onde vive e ensina na Universidade.