segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O Sétimo Selo - José Rodrigues dos Santos


Não é a primeira vez que vos aconselho um livro deste autor, espero que não seja a última, mas decididamente rendi-me a este escritor luso que me faz sentir uma aventureira quando passeio pelas páginas dos seus livros.

Neste romance é evidente, uma vez mais, toda a pesquisa científica que sustenta, com verdades inquestionáveis, a trama vivida pelo nosso herói.

Tomás de Noronha é contactado pela Interpol, depois do assassinato de dois cientistas, para decifrar um dos segredos bíblicos mais enigmáticos, que foi deixado ao lado dos cadáveres: 666

Qual será o verdadeiro significado deste número?
Será que é o fim ou o início?
O apocalipse ou o despertar de uma nova consciência?

Mais uma vez embarcamos numa aventura á volta do mundo que começa na Antártida, passa pela Sibéria e termina na Austrália, passando sempre por Portugal.

Os problemas climáticos dos nossos dias, as dificuldades energéticas e o verdadeiro poder do império do petróleo são aqui explicados de uma forma simples e verdadeira que nos faz pensar no futuro do nosso planeta.

Será que estamos a assistir ao início do apocalipse ou será esta a última oportunidade para mudarmos as nossas mentalidades e os nossos comportamentos?

Já não temos muito mais tempo…

José Rodrigues dos Santos nasceu em Moçambique, começou no jornalismo na rádio Macau, tendo ainda trabalhado na BBC e colaborado na CNN.
Doutorou-se em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP.
È um dos mais premiados jornalistas Portugueses.
Um dos seus romances vai ser adaptado para filme por Hollywood.
Este é o seu quinto romance, antecedido por A Ilha das Trevas (edição Gradiva 2007), A Fórmula de Deus (2006), O Codex 632 (2005) e A Filha do Capitão (2004).

Todos eles de leitura obrigatória.

Boas Leituras!

Cisnes Selvagens - Jung Chang



No meu aniversário ofereceram-me este livro, eu já o tinha lido em Março de 1996 e resolvi falar-vos dele pois deve ser um dos melhores livros que eu já li e, apesar de já terem passado mais de 11 anos da sua leitura, a história continua muito viva na minha memória e ajudou-me a compreender um pouco melhor um povo do qual eu sabia pouco e que me surpreendeu pela sua cultura tão rica mas que se perdeu um pouco devido ao Maoísmo.

Jung Chang escreveu um livro maravilhoso, histórico.
Quase nos custa a acreditar que esta história seja verdadeira, mas é.
A autora conta-nos a vida da sua avó, da sua mãe e dela própria, ao longo de vários anos, o que nos leva a conhecer também a história do próprio país e a percebermos melhor todo o processo revolucionário (ou castrador) pelo qual os chineses passaram até aos dias de hoje.

Quando a avó de Jung Chang nasceu, os seus pés foram ligados, um ritual antigo chinês para que os pés das mulheres não crescessem, pois as mulheres deviam ter os pés o mais pequeno possível. Era um sinal de beleza.
Aos 15 anos tornou-se concubina de um General e aos 22 anos nasce a mãe da autora, dois anos depois morre o seu protector e a vida das duas muda radicalmente. São obrigadas a mudar de região e a começar uma nova vida num lugar onde não são conhecidas e apontadas como familiares de um imperialista.
Desde a fundação do Kuomintang, á ocupação de território pelos Japoneses e pelos russos, á guerra civil, á guerra com a Coreia até á subida de Deng Xiaoping ao poder, tudo nos é relatado de forma simples mas documentada.
Ficamos a conhecer a castração cultural imposta pelo culto de Mao, toda a repressão e tortura imposta ao povo e também como é possível sobreviver e viver debaixo de um regime que luta contra o amor.
Aconselho vivamente a quem gostar de história e se interessar por outras culturas a ver o filme “O Último Imperador” de Bernardo Bertolucci, onde se tem uma visão de muitos dos acontecimentos descritos por Jung Chang e onde nos é relatada a vida do último imperador da China que acabou os seus dias como um simples Jardineiro.

Espero sinceramente que gostem tanto do livro e do filme como eu.

Boas Festas

Harry Potter e os Talismãs da Morte


Este mês é lançado em Portugal (dia 16 de Novembro) a versão portuguesa do último livro da série Harry Potter.
Eu, como fã incondicional, não consegui esperar, li a versão original e só posso dizer FANTÁSTICO!!
Apesar de terem sido editados como livros para a infância/juventude eu penso que podem e devem ser lidos por todos. Os livros estão cheios de fantasia e de personagens fascinantes que nos obrigam a acordar a nossa imaginação e o nosso lado mais infantil que vai adormecendo á medida que nós vamos crescendo.
Para se entender este livro é obrigatório ler os outros seis da mesma série pois sem isso podemos ficar perdidos na história:
Harry Potter e a Pedra Filosofal
Harry Potter e a Câmara dos Segredos
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Harry Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter e a Ordem da Fénix
Harry Potter e o Príncipe Misterioso

Harry é um órfão que vive com os tios e o primo mas que nunca se sentiu membro da família, pois nunca foi tratado como tal.
Certo dia começam a “chover” cartas trazidas por corujas convidando Harry a ingressar na Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts. Harry nunca tinha ouvido falar de tal escola e estranha o facto de os Tios ficarem tão nervosos com o convite e por se tentarem esconder. No dia do seu aniversário um ser enorme, chamado Hagrid, entra pelo esconderijo dentro e explica a Harry que o veio buscar para o levar para a Escola e que os pais dele eram feiticeiros e que também frequentaram Hogwarts, onde se conheceram e apaixonaram. Hagrid conta-lhe como os pais morreram ao lutarem para o defender do ataque de Lord Voldemort, ataque que lhe deixou uma cicatriz em forma de relâmpago na testa.
Hagrid apresenta a Harry o maravilhoso mundo dos feiticeiros e ajuda-o a comprar tudo o que necessita para a sua nova vida em Hogwarts.
Na escola Harry vai viver inúmeras aventuras que o vão ajudando a perceber as suas origens e tudo o que levou á morte dos pais. Ao longo dos sete livros vamos acompanhando o desenvolvimento físico e psicológico das personagens e vamos percebendo as motivações de Lord Voldemort e a sua fixação em Harry.

J. K. Rowling consegue cativar-nos ao longo dos sete livros. Todos têm enredos envolventes, mágicos e surpreendentes. As personagens são riquíssimas e a interacção do mundo mágico com o mundo normal é por vezes hilariante. Claro que um herói tem sempre amigos fiéis e Harry tem dois que estão sempre prontos para o acompanhar Ron Weasley e Hermione Granger.
Eu podia escrever um livro só para vos tentar contar minimamente a fascinação que tenho pelo mundo de Harry Potter, quem não tiver paciência para ler, veja pelo menos os 4 filmes já disponíveis que, apesar de ficarem aquém dos livros (era impossível por tudo num filme) não deixam de nos envolver e de nos mostrar o desenvolvimento da história.

A ex-professora Joanne Rowling nasceu a 31 de julho de 1965 em Inglaterra, e ficou conhecida como J. K. Rowling ao escrever um dos maiores sucessos literários de sempre “Harry Potter”.
Os livros já foram traduzidos para sessenta e quatro línguas e, já venderam mais de 325 milhões de cópias no mundo inteiro. Quatro títulos já foram adaptados para filme e os outros três já estão a ser preparados.
Também se fizeram jogos de computador, roupa, livros a explicar os livros, brinquedos, etc..

Acredito que poucos ainda não ouviram falar de Harry Potter, mas se for o seu caso arrisque e leia o primeiro título, de certeza que só vai para depois de ler o último e, mesmo assim pode sempre relê-los.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Torcida da sua vida - Carlos Drummond de Andrade

"Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você."
Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.
Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.
Estavam torcendo para você nascer perfeito.
Daí continuaram torcendo.
Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo.
O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.
E o primeiro gol, então?
E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.
Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.
Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.
Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.
Começou a torcer até para um time.
Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.
Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.
Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.
Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão.
Eles também estavam torcendo para você ser bacana.
Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.
E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.
Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.
E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.
Depois começou a torcer pela sua liberdade.
Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.
Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.
Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais.
Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.
Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.
Torceu para ser médico, músico, advogado.
Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.
Seus pais torciam para passar logo essa fase.
No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.
Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.
Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.
Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.
E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela.
Primeiro, torceu para ela não ter outro.
Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.
Descobriu que ela torcia igual a você.
E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.
Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem
de lua-de-mel.
E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.
Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.
Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas.
Mas muita gente ainda torce por você!"

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Amazing Grace - John Newton

Amazing Grace (How sweet the sound)
That sav'd a wretch like me!
I once was lost, but now am found,
Was blind, but now I see.
'Twas grace that taught my heart to fear,
And grace my fears reliev'd;
How precious did that grace appear,
The hour I first believ'd!
Thro' many dangers, toils and snare,
I have already come;
'Tis grace has brought me safe thus far,
And grace will lead me home.
The Lord has promised good to me.
His word my hope secures;
He will my shield and portion be,
As long as life endures.
Yes, when this flesh and heart shall fail,
And mortal life shall cease;
I shall profess, within the vail,
A life of joy and peace.
The earth shall soon dissolve like snow,
The sun forbear to shine;
But God, who call'd me here below,
Will be for ever mine.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

A Lua do Tigre - Antónia Michaelis



O que me atraiu neste livro foi a imagem da capa, os olhos hipnóticos do tigre prenderam-me e a imagem do Taj Mahal aguçou a minha curiosidade.

Apesar de não conhecer a autora fiquei intrigada com a sua biografia: nasceu em 1979 na Alemanha e desde sempre escreveu. Depois de acabar o ensino secundário instalou-se no sul da Índia, onde viveu durante 1 ano, trabalhou como professora numa escola de Madras e viajou pela Turquia, Itália, Grécia, Síria e Reino Unido. No momento vive novamente na Alemanha onde se licenciou em medicina e se dedica á escrita.

Desde sempre senti uma inexplicável ligação com a Índia e o facto de a autora ter tido coragem de sair do seu país natal para passar um ano no meio de uma cultura tão diferente da Alemã despertou o meu interesse.

Afundei-me na leitura e, ao fim da primeira página, já não me lembrava que a autora não era indiana pois emergi no meio da Índia, senti os seus cheiros (por vezes não muito agradáveis), vi a sua cor e viajei no dorso de um tigre para salvar uma princesa.

Nesta história temos os ingredientes todos para uma excelente aventura:
Um país exótico (a Índia colonial do séc. XIX);
Uma princesa, filha de um Deus raptada por um demónio (os indianos têm centenas de Deuses e de demónios);
Um ladrão incumbido de a salvar ( “És tu o escolhido para cumprir a missão: irás através do fogo, da água e do vento.”);
Um tigre branco sagrado, que tem medo da água e que se torna no companheiro de viagem do ladrão e que o ajuda a obter uma pedra preciosa especial, necessária para subornar o servo do demónio para que este os ajude a libertar a princesa;
Um ladrão de mil e uma caras que vai sempre tentar roubar a pedra ao nosso ladrão que ao longo da aventura se vai transformando num herói;
E, claro, uma linda história de amor entre uma princesa e….

Têm mesmo de ler o livro pois este não é um romance de capa e espada comum, onde logo no princípio se sabe quem são os maus e ao bons, o herói e a heroína. È uma história que nos guia por um país, algumas das sua tradições e costumes e por uma filosofia de vida diferente mas muito rica e interessante.