segunda-feira, 10 de novembro de 2008

As Esquinas do Tempo - Rosa Lobato de Faria




Rosa Lobato de Faria nasceu em Lisboa em 1932. Actriz, poeta e romancista com vários livros publicados e traduzidos em vários países desde 1995.
Este foi o primeiro livro que li desta autora, despertou-me curiosidade a capa, o título e o reconhecimento de que nunca tinha lido nada escrito por esta alma portuguesa que me acompanhou em muitos serões televisivos enquanto crescia.
Rosa Lobato de Faria tem uma poesia na escrita que nos enamora e nos prende, li o livro numa tarde pois fiquei presa numa esquina do tempo junto com Margarida.
Margarida é uma professora de Matemática que se desloca a Vila Real para proferir uma palestra. Alojam-na num antigo solar de turismo de habitação onde é recebida carinhosamente por três senhoras. Margarida sente uma estranha familiaridade por aquele espaço e pelo retrato a óleo pendurado no seu quarto.
No dia seguinte acorda no mesmo quarto mas não na mesma época. Ela lembra-se que estava em 2008 mas acordou em 1908.
Como é possível? Ela está a ocupar o lugar da sua trisavó Margarida. E a sua trisavó? Onde estará? Em 2008 ou 1808?
Somos levados de uma época para a outra e ficamos a conhecer a história da família de Margarida, tanto no passado como no presente. As paixões e as tragédias que durante tanto tempo ficaram esquecidas e que as esquinas do tempo resolveram reavivar para percebermos que estamos interligados independentemente do tempo e do espaço.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert


semanas, quando sintonizava na SIC Mulher, estava sempre no ar o programa da Oprah com a mesma convidada, a falar deste livro. Comecei a desconfiar de que talvez era um sinal e resolvi comprar o livro.
Este livro está dividido em três partes, a primeira na Itália (comer), a segunda na Índia (orar) e a terceira na Indonésia, mais concretamente na ilha de Bali (amar).
Liz sente-se no fundo do poço, o seu casamento já não tem pernas para andar e o seu marido não ajuda. Ela sente que se descurou a si própria, que descurou a sua relação com o marido e a sua ligação com Deus. Resolve acabar com o casamento e entretanto conhece uma outra pessoa que a apresenta a uma guru indiana. Liz começa a aprender a meditar e a relacionar-se com o Deus que habita dentro de si..
Depois de um divórcio litigioso complicado e do rompimento com o seu novo namorado, Liz sente que está na altura de fazer algo por si, que a faça sentir bem e que a ajude na sua espiritualidade.
Parte para Itália, pois sempre desejou aprender a língua e sempre quis comer a verdadeira comida Italiana. Durante quatro meses Liz aprende Italiano, arranja novos amigos e engorda com a maravilhosa comida de Itália. A luta interior com os seus medos, culpas e sentimentos levam-na a crescer emocional e espiritualmente. Mas é quando parte para a Índia para viver durante quatro meses no ashram da sua guru que ela cresce verdadeiramente. Quatro meses a meditar e a trabalhar para ajudar no ashram fazem com que ela cresça e aprenda o seu verdadeiro valor e, acima de tudo que faça as pazes consigo própria e que se perdoe por todos os seus erros passados.
Anos antes destes acontecimentos Liz tinha estado em Bali para fazer uma reportagem, e aí conheceu um guru indonésio que viu nas palmas das suas mãos que um dia ela iria voltar para ser sua aluna. Depois de quatro meses em meditação, Liz parte para Bali para se encontrar com o seu guru mas a maior surpresa da sua viagem vai ser a paixão que vai nascer entre ela e …
Pois é, vão mesmo ter de ler o livro.
Espero sinceramente que gostem e que a experiência de Liz vos sirva de exemplo e vos ajude a encontrar mais um pouco de felicidade pois, como a autora, eu acredito que ela está dentro de nós.

sábado, 20 de setembro de 2008

O último Cabalista de Lisboa - Richard C. Zimmler

As férias foram boas?
Será que aproveitaram para pôr a leitura em dia?
Eu consegui, entre um passeio e outro, entre uma sesta e outra, ler alguns livros, de que vos falarei ao longo das próximas edições do nosso jornal.
Começo com este livro que raptei da estante dos meus pais e que repousou na minha durante uns sete anos. Quando o trouxe comecei a lê-lo mas confesso que não me entusiasmou, acho que ainda não estava preparada. Este Agosto uma amiga recomendou-mo com tanto entusiasmo que resolvi limpar-lhe o pó e dar-lhe mais uma oportunidade.
Meus amigos, vale a pena, vale mesmo a pena.
O autor baseou-se em alguns dos manuscritos encontrados durante as obras de uma casa em Istambul, Turquia.
Escritos na grafia utilizada pelos judeus da Ibéria, datam de 1507, são assinados por Berequias Zarco e relatam o massacre de Lisboa em 1506.
Berequias Zarco é o nosso herói. Cristão-novo, vive com a mãe, os irmãos e os tios na zona de Alfama, em Lisboa. Quando em 1497 os judeus foram obrigados a converter-se ou a fugir, a família de Berequias optou pela conversão sem nunca abdicarem da sua verdadeira religião que seguiam praticando às escondidas.
O Tio de Berequias era um cabalista famoso na sua comunidade, um iluminista exímio que tentava salvar todos os livros importantes que encontrava para que não se perdesse uma parte importante da cultura judaica.
Quando na manhã de 6 de Abril de 1506, Páscoa, se desencadeiam os tumultos que levaram á morte de mais de duas mil pessoas, Berequias descobre o seu tio morto na cave de sua casa. Junto a ele está também uma mulher sem roupa e morta. Mas como é possível que estas duas pessoas estejam fechadas numa cave e mortas? A porta estava trancada por dentro, por isso o assassino não pode ter saído? Será que foi suicídio? E quem é a mulher?
Berequias relata-nos na primeira pessoa tudo o que se passou nesses dias em Lisboa, ao mesmo tempo que procura resolver o mistério da morte do tio.
Além do relato verídico de um momento menos feliz da história de Portugal, também ficamos a conhecer melhor o dia-a-dia dos judeus/cristãos-novos portugueses.
Richard C. Zimmler nasceu em Nova Iorque em 1956. Formou-se em Religião comparada e trabalhou como jornalista. Em 1990 mudou-se para a cidade do Porto onde vive e ensina na Universidade.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Promise yourself to be so strong that nothing can disturb your peace of mind.
Look at the sunny side of everything and make optimism come true.
Think only of the best, work only for the best, and expect only the best.
Forgive and forget the mistakes of the past
and press on to the greater achivements of the future.
Give so much time to the improvement of yourself that you have no time to criticize other.
Live in the faith that the whole world is on your side so long as you are true to the best in you!


Christian D. Larson

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SER COMO O RIO QUE FLUI - Paulo Coelho


São cada vez mais os livros de auto ajuda publicados.
Tentam ensinar o melhor método para se obter um sem número de coisas que pensamos precisar para encontrar a felicidade.
Confesso que sou leitora assídua de vários autores desse tipo de literatura, não sendo fanática, acho que alguns nos ajudam a mergulhar dentro de nós, a meditar na nossa vida, a descobrir a nossa essência, em quem verdadeiramente somos, como nos apresentamos aos outros e como reagimos perante a vida.
Já aqui confessei a minha paixão pelos livros de Paulo Coelho, apesar de ele não se enquadrar propriamente como autor de livros de auto ajuda, a mim ajudou-me imenso e resolvi recomendar-vos este pois está cheio de pequenos e saborosos contos, ideias e opiniões do autor que pedem para ser lidos com calma, saboreados, meditados, sentidos, um de cada vez, acompanhados pelo barulho das ondas, das árvores ou de uma música suave.
Na minha humilde opinião, ler e meditar num lugar confortável ao som da natureza ou de uma música suave é um momento sagrado que todos devíamos praticar assiduamente.
Podemos começar por meditar no título do livro: o que significa ser como um rio e fluir pela vida? (há mais de um ano que ando a meditar nisto, e no que li e já reli do livro)
Um dos contos chama-se “Gengis Kahn e o seu falcão” e é das coisas mais bonitas que li sobre a amizade “- Mesmo quando um amigo faz algo de que tu não gostas, ele continua a ser teu amigo.” Fiquei, e ainda fico perplexa com a quantidade de pensamentos e considerações que esta frase me provoca.
Não resisto a transcrever aqui um pequeno conto, para aqueles que não vão ler o livro, pelo menos tenho a esperança que leiam este conto e que meditem no assunto:


“Olhando para o jardim alheio”
«“Dai ao tolo mil inteligências, e ele não quererá senão a tua”, diz o provérbio árabe. Começamos a plantar o jardim da nossa casa e – quando olhamos para o lado – reparamos que o vizinho está ali, a espreitar. Ele é incapaz de fazer alguma coisa, mas gosta de dar palpites sobre como semeamos as nossas acções, plantamos os nossos pensamentos, regamos as nossas conquistas.
Se prestarmos atenção ao que ele está a dizer, acabaremos a trabalhar para ele, e o jardim da nossa vida será ideia do vizinho. Acabaremos por esquecer a terra cultivada com tanto suor, fertilizada por tantas bênçãos. Esqueceremos que cada centímetro de terra tem os seus mistérios, que só a mão paciente do jardineiro é capaz de decifrar. Já não prestaremos atenção ao sol, à chuva e às estações – para ficarmos apenas concentrados naquela cabeça que nos espreita por cima da cerca.
O tolo que adora dar palpites sobre o nosso jardim nunca cuida das suas plantas.»



E que tal se todos nos esforçássemos por fazer um bonito jardim da nossa vida sem nos preocuparmos com o que o vizinho faz no jardim dele?


Continuação de boas férias…

Toda a Mafalda - Quino




















Férias, praia, campo, passear…
Durante as férias temos uma óptima oportunidade para pôr a leitura em dia.
Não custa nada levar um livrinho connosco e, naqueles momentos de “dolce fare niente” aproveitar para desfolhar umas páginas e viajar pelo mundo sem sair do lugar.
Se não tiveram tempo, de ler alguns dos livros que foram aqui sugeridos, não deixem escapar estes dias de férias e entre um mergulho e um passeio de certeza que se vão render ás aventuras propostas.

Este mês recomendo um livro diferente mas que considero obrigatório.
De fácil leitura, de certeza que vai proporcionar momentos de boa disposição.
Pode ser lido página a página mas aposto que quando começarem vai ser de uma assentada.
Duvido que nunca tenham ouvido falar da pequena Mafalda, nascida pela mão do argentino Quino na década de 60 do século passado que, apesar de ter quase 50 anos, continua jovem e perspicaz nas observações e críticas que faz da sociedade.
Cada vez que se lê ou relê uma das suas tiras, somos surpreendidos pela actualidade dos seus comentários e principalmente pela forma simples e inocente com que os faz.

Se nunca leram a Mafalda de certeza que se vão apaixonar perdidamente por esta pequena contestatária e pelos seus amiguinhos.
Como se costuma dizer “uma imagem vale mais do que mil palavras” e, se este não é bem o caso, pois aliadas ás imagens temos palavras, o traço de Quino continua actual e preciso, encaixando em todas as épocas e sociedades.
Boas férias…